terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Histórias daquele tempo com piada - 11

 O roubo dos dióspiros… e afinal foram limões!

     Meados da década de oitenta, quase sempre, senão sempre, as coisas aconteciam desta forma: A malta acabava de jantar, uns mais cedo outros mais tarde, e o ponto de encontro era sempre o mesmo, tomávamos café na sede da associação, que funcionava na garagem da casa da paróquia, e depois ficávamos ali no largo da igreja, defronte da mercearia do Mota e da Milita, em amena cavaqueira, onde se discutia de tudo ou quase tudo. Muito honestamente, também não havia muito mais que fazer senão jogar à sueca, fumar uns cigarros e conversar, conversar sobre tudo, coisas com jeito e coisas sem jeito, e às vezes lá surgia uma ideia estapafúrdia. O que a malta queria era acção e aventura. Topávamos a tudo, desde que desse para a borga, e para a gente se distrair um bocado.
     - E se fossemos roubar dióspiros à Fernandinha do Morais? -  Alguém disse - Não sei quem foi, mas isso agora também não interessa. O que interessa, foi que a malta toda concordou com a ideia e lá fomos, avenida abaixo em direção à quinta da Fernandinha do Morais. Vejam bem, roubar dióspiros!... Como se aquilo fosse uma fruta fácil de manusear, Nem sacas levávamos, era comer o que pudéssemos e mais nada!  Ora bem, quando digo roubar, é preciso que se note: quando o produto do roubo não é armazenado para posterior lucro do mesmo, temos de considerar que é uma necessidade de consumo imediato, uma coisa circunstancial, ao que se chama roubar para comer, e sem provocar estragos, como tal não é pecado!... Mas querem saber a melhor?... Não havia dióspiros!... Eh pá, ficamos com uma cabeça do caraças, isto para não dizer uma asneira: - E agora?..  E agora, olha, quem pagou foi o limoeiro. Roubamos limões!! -  E o que vamos fazer com os limões?... Pois bem, assim como assim, decidimos dar alguma utilidade aos limões e lá fomos nós ter a casa do João, que morava ao lado da escola, pouco mais velho que nós, e também levado da breca para a borga. O tempo estava quente, a ideia, talvez, seria fazer uns refrescos para a malta, mas o que o João fez foi diferente, em vez do refresco, espetou na nossa frente uma garrafa de rum. Vejam bem, rum!... Oh pá, a malta em vez de refrescar, aqueceu, e de que maneira!… Pois bem, escusado será dizer como tudo terminou! Estão mesmo a imaginar?!... Eish, aquilo foi de escacha pessegueiro! Houve mesmo quem defecasse da janela para a rua e limpasse a extremidade do intestino grosso à camisola! Vejam bem o estado em que a malta ficou!… e os limões?... Os limões, lá ficaram em casa do João!... 

NOTA: - Eu também tive a minha dose, e não evitei ter de chamar o “gregório”, antes de adormecer!... São coisas! E não me lembro de mais nada!


20 out 2024


          

domingo, 7 de dezembro de 2025

Poemas de dois em dois - 35

Metade de mim!...

Metade de mim partiu.
Metade de mim ficou.
Metade de mim sorriu.
Metade de mim chorou.

Mesmo perto do fim
tu sorriste para mim!



terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Um dia de cada vez!...

Recorde...

Hoje bati o meu recorde de dias de vida: 23039 dias.
Ontem só tinha conseguido 23038 dias...! 
Espero amanhã voltar a bater o recorde!...






domingo, 23 de novembro de 2025

Poemas de dois em dois - 34

Palavras do vento...

No som do tempo
Eu crio o sentimento,
E associo ao sentimento
As palavras arrastadas pelo vento!



sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Conceito estapafúrdio... 7 - Eutanásia

 A Eutanásia - ideia

     Tinha ideia de que, essa coisa da morte assistida não iria ser aprovada pelo parlamento! E foi, e foi de tal forma expressiva, que no dia 20 de fevereiro de 2020 votaram 127 deputados a favor e 86 contra. E, este mesmo projecto, sobre a eutanásia, havia sido chumbado pelos deputados no dia 29 maio de 2018, com 107 votos a favor e 116 contra. Ora, constatamos que houve deputados que tomaram consciencialização em facilitar a morte daqueles que querem ver a sua vida reduzida devido ao sofrimento irreversível (dizem eles). Digo eu, que ninguém no seu estado normal, e perfeitamente consciente, quer por termo a sua vida. Esses que o querem, provavelmente estão a passar por uma fase depressiva, e encontram no suicídio a única solução para os seus problemas e sofrimento.
     Uns querem a toda a força que a eutanásia seja legalizada, outros não, e até querem que se faça um referendo. Mas isto não é referendável. Tão pouco eu legitimei o parlamento, com o meu voto, para que possa decidir sobre a vida ou sobre a morte. Não quero sequer acreditar, que esta lei surge de forma a minimizar os custos com os cuidados paliativos. Não creio que seja essa a razão. Contudo, eu acho que seria mais lógico dotar a classe médica com mais meios para promover a vida, e não a morte. Na prática, dirá um paciente que quer ver a sua morte abreviada:
     - Quero suicidar-me e não consigo, seja você a fazê-lo! -  Fundamentalmente, a eutanásia a ser aplicada de forma legal, será naquela pessoa, que, no seu estado perfeitamente consciente, pede que lhe seja aliviado o sofrimento através da morte medicamente assistida. Dizem que é uma morte suave e tranquila!... Eu não sei se é tanto assim, porque, até hoje ninguém cá voltou para confirmar!  
     Reitero, pois, o meu total desacordo e indignação com a prática da eutanásia. Não acho que seja, como alguns dizem, um acto honroso e de enorme dignidade e compaixão para com aqueles que sofrem e pedem para morrer. A morte só pode acontecer uma vez, a decisão de desejar e anunciar a nossa morte, como tal, é um acto único, e nunca o deveríamos delegar em terceiros. Devemos delegar, sim, é a possibilidade, de prolongar a vida e manter a nossa existência. 
     Esta lei, vai ser agora, discutida e votada na especialidade. Não sei o que vai acontecer, mas acredito nas novas gerações, novas mentalidades, novas ideias!... A minha é esta! 

8 de Março 2020

A Lei da Eutanásia (Lei n.º 22/2023) foi publicada no Diário da República em 25 de maio de 2023. No entanto, a entrada em vigor da lei depende da sua regulamentação pelo Governo, que deveria ter ocorrido no prazo de 90 dias após a publicação, o que até agora não aconteceu. 
21/11/2025.



domingo, 16 de novembro de 2025

Poemas de dois em dois - 33

 Infinitamente

Corri velozmente
E já era sol posto.
É uma luz que se abranda
E uma paz que vê no rosto
No silêncio da tarde calma.

Tão igual
Tão diferente
É um sol que me abraça
Num mar que não se cansa,
A cada instante a mudança
.



segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Poemas de dois em dois - 32

Gotas de amor!

A nuvem que passa
Ouve o meu corpo
Em conversas cruzadas.

Ela diz que me ama
Ela diz que me chora!

Por entre gotas de palavras passadas
Um pingo de lágrima
Se afunda no chão da minha alma!



quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Aconchego!

 Crónica do aconchego

No início até pensei
 que poderia ter sido por um outro motivo. Mas não, depressa percebi do que se tratava. A minha filha Carolina é uma criança franzininha e aquela hora da noite entra no meu quarto de almofada debaixo do braço, de olhar tristonho e quase a chorar, diz muito baixinho: - "não consigo dormir e o meu coração está a bater muito depressa". Claro que fiquei preocupado. De imediato cedi-lhe passagem e ela lá se enfiou no nosso meio. Ora bem, uma cama para dois é quanto basta, três a coisa  mais fica complicada no que toca a liberdade de movimentos, mas lá tive que me adaptar. Carolina adormeceu em três tempos e eu ainda me mantive algum tempo acordado a contemplar o seu sono. Sabia que ela estava na sua zona de conforto e o coração, naturalmente, já não batia tão depressa. Adormecer assim, naquela posição de barriga pró ar, é certo e sabido que iria causar ruídos desagradáveis. Ainda me recordo de a meio da noite tentar virar-me de lado, mas senti o meu cotovelo bater em algo duro, ouvi um "Ai", de imediato pedi desculpa e mantive a posição inicial. Carolina, 10 anos feitos, cheia de ternura e carinho, dormia ali a meu lado feliz e despreocupada de qualquer sobressalto. Bom seria que a Carolina  não crescesse e ficasse sempre nesta idade, no aconchego dos pais!... Naturalmente que ela vai crescer e tudo vai ser diferente...! E não é, que a primeira coisa que ela disse quando acordou foi: - "Ó pai tu ressonas muito alto!" - Acredito, eu é que não ouvi nada!...

Escrito a 12 de 
março 2017





terça-feira, 4 de novembro de 2025

Histórias daquele tempo com piada - 10

 O Toni a trovoada e o terço!

        Éramos ambos, duas crianças que brincavam descontraídas junto das austrálias, uma pequena vegetação que ficava entre a casa de meus pais, lugar da Pedreira, e a casa do Toni, quinta do Buraco. Não tenho, sequer, ideia do que estaríamos a brincar, mas, fosse o que fosse, quando aqueles trovões potentes estalaram por cima das nossas cabeças a primeira reação que tivemos foi correr a toda a pressa para debaixo de um telhado. E disparamos a correr em direção à quinta do Buraco. Eu, um puto que andaria pela casa dos seis, sete anos, estava de tal forma estarrecido pelo medo que nem um feijão me cabia no cu. O Toni, alguns anos mais velho que eu, tomou a dianteira, e correu a bom correr, indo parar à cozinha da casa da quinta.  Naquela altura, a casa, que hoje já não existe, ficava num vale ladeada por árvores altas, o que tornava mais aterrador o ribombar da trovoada. Encostados a um canto da cozinha, a tremer como varar verdes, lá estávamos nós, a olhar um para o outro sem saber o que fazer, até que o Toni, de voz trémula e com um ar aterrador, me diz:  -Vamos rezar o terço, eu rezo pelos dedos e tu ditas os mistérios! - Sim, porque em minha casa, à noite, sempre se rezou o terço e era suposto eu saber ditar os mistérios. E assim, abstraídos do que se passava lá fora, acabamos por rezar umas quantas “Ave Maria” e uns quantos “Pai Nosso”, até que, sem que tivéssemos terminado o terço, a tempestade tinha acabado!... Saímos, com algum receio, mas felizes porque tínhamos escapado, e o que vimos foi um cenário maravilhoso! A quinta, toda ela, encontrava-se coberta por um manto branco de saraiva, uma tal coisa, que eu ainda hoje tenho essa imagem presente…! Eu e Toni, corremos, feitos duas crianças felizes, para brincar com a saraiva!!!  

Original publicado em 
30-06-2017 no Facebook



segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Conceito estapafúrdio... 6 - A inglesa!

 

A INGLESA
            De algum tempo para cá, que tenho vindo a perder simpatia pelos ingleses. Digo, no entanto, que nutria por essa malta uma certa simpatia, desde que, reza a história, o duque de Wellington expulsou os franceses daqui para fora (entenda-se Portugal)!... Mas, voltando aos tempos de hoje, devo dizer que a coisa inverteu o bico ao prego logo após o momento em que aquele casal de ingleses, chamados de McCann, vieram para Portugal com os seus filhos e deixaram que a sua filha Maddie McCann (menina de 4 anos) desaparecesse sem que ninguém saiba o que lhe aconteceu ou para onde foi, ou se calhar sabem, só que não querem dizer. Bom, mas não me vou estender mais sobre esse assunto. Contudo, foi a partir daí que os ingleses começaram a denegrir a imagem dos portugueses a começar pela polícia, enviando para cá elementos da Scotland Yard altamente conceituados que não descobriram merda nenhuma. E como se não bastasse, ainda insultaram a classe canina com os cães pisteiros, farejadores de cadáveres, que trouxeram para farejar não sei o quê, como se os nossos estimados caninos não soubessem farejar!... 
         Há uns dias, passo por umas das praias de Gaia (Granja), e vejo um vulto estendido na areia, junto ao mar, a dormir ao sol (foto). Aquilo até poderia parecer muito normal, mas a personagem, aparentemente do sexo feminino, estava vestida dos pés à cabeça, como se tratasse de um dia de inverno, e a temperatura deveria rondar os 28º.  Muito esquisito, vestida daquela forma, e a segurar com a mão um trolley de viagem! Aquela cena até me fez lembrar a Linda de Suza dos anos 70!... Aproximei-me e perguntei se precisava de ajuda, uma e duas vezes, sem obter resposta. De repente a criatura mexe-se e vejo surgir um rosto branco como a neve, que pronuncia de uma forma rude, áspera e mal-educada: “I do not speak portuguese”!  E continuou ali, estendida ao sol!…

19-06-2017



domingo, 19 de outubro de 2025

O pedinte!...

Em meditação

Estava pedinte de mim mesmo
E pedi-me por um acaso.
Peço-me porque me quero.
De tão longe que estou,
Que por ti espero...



quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Desabafo!

 Calhau quente!...

A vida é imprudente e eu senti a leveza do peso de um calhau quente!
- Queimei-me caralho!!!
- Foda-se, puta que pariu!!!
Disse tudo, como tal nunca se viu!...


domingo, 5 de outubro de 2025

Poemas de dois em dois - 31

Gente em mar de gente!

Ó gente que procura gente
Ó mar que a água trazes a terra
Traz a água da nascente 
E deixa para os homens a cor da guerra!

Tendencialmente o mar é calmo
Tendencialmente o mar  é feroz
Mata, dilacera, atormente sem compaixão
E devolve à terra em ondas de perdão!



 



quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Poemas de dois em dois - 30

 
O que resta da tua vida!

O mundo acontece
e a vida padece.
Rezar ma prece
não é o que parece.

    - Já não esperas por mim!

Vem de madrugada
na vida parada.
Sentes-te cansada
e não sobra nada.

     - E tu partiste antes de mim!

Vem o vagabundo
em sono profundo.
Encosta-se ao mundo
e bata no fundo.

    -  E eu parti depois de ti!


05 maio 2025



segunda-feira, 29 de setembro de 2025

domingo, 28 de setembro de 2025

Poemas de dois em dois - 29

 Mar em mim!...

Não tarda ela bate à porta
E o mar foge de mim.
Não tarda ela bate à porta
E o mar ao longe me abraça.

Qual figura triste, doce e amarga
Que finge não ter fim,
Cai de bruços na desgraça
Porque o mar foge de mim.



quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Histórias daquele tempo com piada - 9

 MALAS À PORTA – serenidade e conclusão!…

                Já muitas vezes, qualquer um de nós (homens) foi confrontado com aquela vulgar ameaça da mulher: - “Qualquer dia chegas a casa e tens as malas à porta”, ou então, pelo conselho de um amigo: - “Não te ponhas fino não, um dia destes a tua mulher põe-te as malas à porta”. Com Arnaldo, e naquele dia fatídico, nem aconteceu ameaça nem conselho, foi literalmente malas à porta, e de um tal aparato, que até parecia uma banca de roupa na feira do bairro do Cerco! 
         Arnaldo, há já algum tempo que vinha dando sinais de desinteresse conjugal. Tinha conhecido Madalena numa das suas saídas noturnas, e deste então, a coisa vinha-se desenrolando de fininho sem que ninguém desse por nada, principalmente Dolores, que sempre empenhada nas suas lides domésticas, nem lhe passou pela cabeça tal coisa, muito embora, já andasse um pouco desconfiada das atitudes do Arnaldo. E o mal foi esse! Foi Arnaldo abusar da sorte e naquele dia quis ir ao café da praça exibir a sua conquista. Azar, depressa a notícia chegou aos ouvidos da Dolores que a espumar de raiva e ódio, se pôs a caminho para por as coisas a limpo, decidida a apanhar o Arnaldo em flagrante. Se Arnaldo tinha amigos, ficou provado naquele momento: - “Ó Arnaldo, olha que eu vi a tua mulher e a irmã, ali na praça e andam à tua procura”! Arnaldo bem que se esgueirou, mas não foi o suficiente para evitar que Dolores não se apercebesse do que ele lhe andava a fazer: - “Ah Arnaldo, nem sabes o que te espera, deixa-te chegar a casa que já vais ver!...” Dolores, mulher de “tomates”, de pulso, de atitude, de caráter!… Se bem pensou melhor o fez! 
         Malas, sacos, trouxas e a granel!… Era assim que todos os seus haveres estavam depositados à entrada da sua casa! Espetáculo deplorável, e como se não bastasse lá estavam os mirones dos vizinhos a registar a ocorrência!… No dia seguinte Arnaldo apareceu tranquilamente no café da praça: - “Ó Arnaldo, então o que aconteceu, entre ti e a Dolores?”  Arnaldo respirou fundo e disse muito seguro: - “VOCÊS NEM SABEM A ROUPA QUE UM HOMEM TEM?!… E SAPATOS?!!!" 

Nota: - Conto adaptada de um caso real, todos os personagens e locais são fictícios. Os meus agradecimentos ao Sr. Sampaio da marina da Afurada. - Recriado do original de 2017




quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Poemas de dois em dois - 28


A chuva da minha alma

A chuva da minha alma
Cai suave na tarde calma.

A chuva da minha alma  
Escorre calçada abaixo
E lava a lama.

A chuva da minha alma
Dá brilho e cor
A quem não ama!


 
Foto: "L´art de la photographie!"

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Histórias daquele tempo com piada - 8

 O sininho e os “croques” do P. Idalino!

     Não posso precisar, mas estaríamos em finais da década de 60, eu teria, sei lá, 4 ou 5 anos, não mais, mas recordo-me perfeitamente desta traquinice que pratiquei, mas já lá vamos! 
     O P. Idalino, padre da paróquia da Lomba, era useiro e vezeiro em dar croques na cabeça das crianças, entre as quais eu incluído. Era uma pessoa que impunha muito o seu respeito, tinha um bom porte físico, era alto espadaúdo, e já com alguma notória falta de cabelo. Usava aquela batina preta, do pescoço aos tornozelos, que criava algum pavor nas crianças, sempre que chamava alguém à atenção. No entanto, também se impunha pelo tratamento que mantinha com as pessoas e pela forma pragmática no cumprimento das regras da igreja. Aí daquele que prevaricasse, era reprimenda na hora!… Conta-se até, que dada a rapidez com que ele quis repreender alguém, saiu da sacristia com tamanha velocidade, e, como era alto e não se baixou a tempo, bateu com a cabeça na soleira da porta. Aquilo deve ter doído, digo eu!... Vamos, então ao que interessa:
     A igreja da Lomba tem uma torre, um campanário, na altura, para uma criança de 5 anos, era uma coisa imponente, monumental, de larga escala. Três sinos; o grande, que tocava com um tal timbre que quase rebentava com os tímpanos a um gajo. Tocava nos funerais e sempre uma hora antes de começar a missa ao domingo; o médio, normalmente tocava a rebate quando havia incêndios e quando faltava meia hora para a missa, e depois dava as três picadas para começar a missa! E o pequeno… e o pequenino, o que é que ele tocava? Eu não sabia, eu nunca ouvia aquele sininho a tocar!... Foi então que, corajosamente, subi as escadas da torre dos sinos e… pimba!... Pois é, a residência do P. Idalino ficava logo ali ao lado da igreja e a senhora sua empregada, a D. Luzia, ouvindo aquele toque veio ver o que se passava, e viu-me, caralho, identificou-me, e eu corri a sete pés para casa de meu pai!.... Nem meia hora se passou, nem meia hora, quando vi aquele vulto de preto junto ao portão da casa de meu pai. Fiquei todo cagado de medo e fugi, fugi outra vez. Meu pai, paternalmente, lá me foi buscar, junto a umas austrálias que ficavam perto de casa, e levou-me à presença do P. Idalino. Não me lembro, do que ele me disse, mas sei que me aplicou três croques na cabeça, três croques… contei-os bem, que já sabia contar!... E foi-se embora!...  Como devem calcular, a memória que tenho deste padre não é das melhores. Posteriormente, veio um outro padre para a Lomba, o Padre Avelino, uma joia de pessoa! É assim…!    


quinta-feira, 24 de julho de 2025

O caminho!...

 Na vida, o espaço que tens para percorrer é sempre o mesmo, mas a possibilidade que tens para o percorrer é cada vez menor!  Vive um dia de cada vez!!...






domingo, 23 de março de 2025

segunda-feira, 10 de março de 2025

Perpetuar...

Fica comigo

Eu quero que fiques comigo!
- Eu quero que ouças eu repetir vezes sem conta a mesma coisa!
- Eu quero que ouças eu contar vezes sem conta a mesma história!... 


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Histórias daquele tempo com piada - 7

 O Joli!

A língua prega-nos algumas partidas, e eu andei alguns anos enganado com uma ideia errada… já explico:
     O Joli era um cão de médio porte, mas impunha respeito, e naquela altura, era eu uma criança, de sete, oito anos, não mais, o cão parecia grande, tão grande que eu ficava todo estarrecido quando o via. Era o cão da quinta do Barral. Normalmente, estava preso, a guardar a quinta, mas o dono, volta e meia o soltava, e ele lá ia passear pela aldeia. Não se metia com ninguém, mas ai daquele que se metesse com ele, ai daquele que lhe atirasse uma pedra, ficava zangado e mostrava aqueles dentes, ameaçador, que a gente até lhe chamava o “arreganha-dentes”.
     O Barral é uma quinta muito bem localizada, virada para Santiago, com aqueles campos em socalcos encosta abaixo até ao rio, até Quintelas. Era uma quinta muito bem trabalhada, com muita produção agrícola e tinha muitos animais; bois, vacas, porcos,  cabras, ovelhas, patos, galinhas, perus….  Estava sempre tudo muito limpinho, era um regalo apreciar o rio douro dali. Tinha tudo para ser uma bonita quinta. Agora!... Deixem que vos diga, está que mete dó! No tempo do Joli, não, estava tudo um brinquinho, dava gosto, carago! E foi num desses dias que estive frente a frente com o Joli, mas com uma relação muito discreta; eu cá tu lá, nada de “cunfias”!...  A minha mãe, de quinze em quinze dias, cozia o pão; amassava a farinha, colocava-lhe fermento e depois deixava a levedar. Enquanto isso, o meu avô ia aquecendo o forno a lenha, e no entretanto, pedia cá ao rapaz para ir ao Barral, com uma telha meia cana na mão, buscar bosta de boi! Vejam lá, mandava-me, literalmente, à merda. Mas é preciso que se note, que aquilo era merda da boa, era para tapar a porta do forno, de cozer o pão, de facto!… E por sinal, ficava muito bem tapada.
     Bom, não me querendo desviar do assunto principal, estava eu, então, a sair da quinta do Barral com a bosta na telha, quando reparo que vem um grupo de pessoas na minha direcção a falar uma língua que eu não percebia. Estávamos no mês de Agosto, portanto, só podiam ser franceses, avec´s, como a malta lhes chamava! Passa aquela gente por mim, e às tantas, ouço uma voz feminina, em bom tom:
- Joli, joli!...
- Olha, eles conhecem o Joli – disse eu, e tal foi o meu espanto!... “O Joli deve ser um cão muito importante” - pensei eu, muito admirado!
Mas eles estavam a olhar para o rio!
E assim foi, até ao dia em que eu fui para a escola aprender a falar francês!... Está-se mesmo a ver!!!...
      

Barral...

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Só!...

 Só, no meio de pessoas!

     As refeições são necessidades básicas diárias de vital importância para a nossa sobrevivência, mas reconheço que mais importante ainda, não é o que se come, mas sim com quem se come. O prazer está no convívio do momento da refeição. Uma prática social muito saudável.
     Era uma família numerosa, mais os animais de estimação, mas sempre, ou quase sempre, ele comia sozinho. Muito raramente, mulher e filhos, lhe faziam companhia durante as refeições. As novas tecnologias dispersavam o convívio!... Cada um se refugiava no seu canto absorvido pelas redes sociais, pelas conversas online, pelos jogos online, pela informação e comunicação, quase que em tempo real!... Mas, o que mais o entristecia e chocava, era ele ver a mulher colocar os pratos na mesa e os filhos retiravam-nos um a um, aqueciam e iam comer para o quarto, cada qual no seu canto, agarrados ao telemóvel ou no computador na secretária a jogar vídeo jogos, ou outra coisa qualquer!...
     Que muito lhe custava comer sozinho. Já muitas vezes ele pensou em ligar com alguém conhecido e convida-lo a vir almoçar, ou jantar consigo,… porque ele sentia-se só!... Muito embora fosse uma casa cheia de gente, não sentia as pessoas junto dele.
     Ouve-se um silêncio…. E o silêncio faz um ruído  tão alto que se ouve profundamente, e magoa, e fere, de tão intenso, que por vezes ele se torna. Tinha uma cadelinha ternurenta de pequeno porte, que era a sua única companhia. Quando estava sentado à mesa, ela enroscava-se junto dos seus pés e ali fica, à espera que se levantasse e fizesse alguma coisa, e sempre a observar cada passo que ele dava!…
     A capacidade de percebermos o silêncio e  interpretarmos os sinais do mesmo, não é fácil. E mais difícil se torna quando colocamos essa capacidade nos outros, em querer que percebam, aquilo que em silêncio transmitimos. Tendencialmente não resulta, e acabamos sempre por cicatrizar sozinhos a ferida de um silêncio dilacerante!...    

26 de Março  2020


Foto: "L´art de la photographie!"

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Histórias daquele tempo com piada - 6

 Morrer duas vezes…

A Srª Carlota, morava logo ali, ao lado da casa de meus pais. Um dia, reparando ela que seu filho mais novo se preparava para ir para o rio, tomar banho na praia de Quintelas!... Ai, Quintelas!... Quem não se lembra da praia de Quintelas?!... Era como se fosse a Côte d´Azur  lá do sítio, e no entanto, não era assim tão frequentada pela malta. Mas quem lá ia, consolava-se, sol de manhã à noite, paz, tranquilidade, sossego! Um areal extenso e limpo, de uma areia tão fina como a do mar. As margens eram repletas de um gramão verde, com os choupos e os vimes a darem alguma sombra a todo aquele encanto!... E o rio carago, com aquelas enseadas e lagoeiros de água quente…, era um regalo. Tinha algumas quedas, que eram um perigo para quem não sabia nadar, mas a malta já as conhecia. Por vezes, na maré baixa, passava-se o rio de um lado para o outro com a água abaixo dos joelhos. Que  saudade daquele tempo!... Ainda tenho bem presente na memória o cheiro doce do funcho que crescia areal fora, aquele, que raras vezes a maré la chegava. Quintelas, portanto, ficava logo abaixo da casa de meus pais e da casa da Srª Carlota, e aquilo era um tirinho, de casa pró rio e do rio pra casa…! E com toda esta conversa, já me esqueci do que queria dizer… ah, já sei!  E então, a senhora Carlota, como todas as mães, ficava preocupada com o seu filho, ir assim pró rio, sem mais nem menos. E dizia ela, toda preocupada, e com voz de repreensão:

- “Vai pró rio e morre, que quando chegares a casa dou-te uma tareia que te mato”!
Certo é, e felizmente, que o seu  filho nunca levou a prometida tareia!





segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Poemas de dois em dois - 26

 A leveza da indiferença!

Quase que sei que não vais chorar
Quase que sei que não vais sentir...
Nada, por quem já partiu
Nada, por quem não volta a vir!...



terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Histórias daquele tempo com piada - 5

 O Melindra e o pão com chouriço

     Naquele tempo, a malta, depois de jantar, ficava ali pelo tasco da Milita e do Mota, ou então, no bar da associação a jogar às cartas. E quando não era num lado nem no outro, era mesmo ali , no largo da igreja, em modo de tertúlia, onde discutíamos de tudo, mas quase sempre era sobre futebol, e andava sempre à volta do Porto e do Benfica. Estávamos em Agosto, e naquele dia, que já era noite, o Lino do Portal teve a ideia de desafiar a malta par uma pesca à rede!… Olhamos uns para os outros,  eu, o Fausto, o Vasco e o Chico aceitamos o desfio e lá fomos com o Lino, que era quem tinha o barco e a rede. Descemos a Quintelas, onde o barco estava atracado junto a terra, já passaria da meia-noite, e estava escuro como o caraças, não se via um palmo à frente dos olhos. O Fausto sentou-se na proa, o Lino e o Chico prepararam a rede, eu e o Vasco pegamos nas pás e remamos rio acima, sorte a nossa, que a maré estava a subir e tornou-se fácil remar contra a corrente. Eu não sei quantas vezes a rede foi lançada ao rio, mas sempre que era recolhida… peixes, nem vê-los, zero, bola. Nem um. Nem sequer um escalozinho para dar ao gato. Que vergonha!... O Fausto, que já não estava achar piada nenhuma, diz: “Já estou cheio de fome, vamos mas é ali ao Melindra comer qualquer coisa.” – O Melindra era um tasquinho que ficava em Santiago, junto ao rio, e onde se comia bons petiscos. A malta habitualmente ia lá comer um bucho com molho verde que era uma delícia. Lá fomos, altas horas da madrugada. O Fausto, como mais velho, chamou… uma, duas e três vezes, pelo Sr. António Melindra, até que ele lá apareceu à porta, ainda meio acordado meio a dormir. Abriu-nos a porta, e diz de uma forma gentil e simpática:
- Ó rapaziada, eu não tenho nada para vos dar!... Só se quiserem pão com chouriço?...
     Foi isso mesmo que comemos, e que bem que nos soube. Já não fomos para casa a seco!...  
     Aquilo é que era gente boa, como já não há!... Levantar-se da cama, às três da madrugada, para dar pão com chouriço a uns jovens que lhe bateram à porta!... Foda-se, é de louvar!!!    

Nota: Lembrei-me de partilhar esta pequena história, em memória do companheiro Fausto, que foi, recentemente, vítima de doença prolongada! Até sempre companheiro!


quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Estou velho! - Disse o velho!...

 Estou velho! - Disse o velho!...

Ser velho, uma dádiva ou uma praga?…
  
    - Estou velho! – Disse ele, sentado naquele banco que quase tinha a sua idade, com as mãos apoiadas nos joelhos, já trémulas, e aquele olhar de desânimo por cima dos óculos, pois, porque a idade não perdoa.
    - Está nada, você ainda tem muita vida pela frente, ainda nos vai fazer companhia durante longos anos. Você vai ver!
    Aquelas palavras produziram algum ânimo, mas o que ele sentia era bem diferente.
   - Dói-me tudo, caralho! Estou todo fodido!...
   - E então, o senhor doutor já esteve aqui. O que é que ele disse?
   - Eu sei lá! Ele receitou prá aqui umas merdas, que eu nem sei o que é isso. Tomo, mas não me faz nada. Dói-me tudo na mesma! 
   - Tem de dar algum tempo para que a medicação faça efeito! Você vai ver como vai melhorar.
   - Tempo, que tempo? Eu já não tenho mais tempo! Já não consigo fazer nada!...
   - Nem precisa, você tem sempre quem o ajude. Não está desamparado!
   A dependência era coisa que o preocupava, sempre foi capaz de tomar conta de si, mas agora!...
   - Olha, vocês até me podem ajudar. Mas eu tenho de me vestir, eu tenho de me lavar, eu tenho de fazer as minha necessidades. Se ficar prá aqui todo engelhado, como é que vou conseguir? Quem é que me vai ajudar?
   - Calma, você ainda não chegou a esse ponto. E quando chegar, cá estamos nós para o ajudar. Vai sempre haver alguém que faça isso por si.
   - Já viste, eu nem ser capaz de enfiar uma ceroulas nas pernas?!... Não, eu não quero isso para mim!
   Baixou a cabeça, inclinou-se sobre os joelhos e assim ficou durante algum tempo. O peso da idade corroía-lhe os ossos, os nervos, os músculos, e até a mente já estava a ficar num canho. As memórias, era aquilo a que ele se agarrava, os momentos de glória na sua juventude, as imagens que produzia na sua mente davam-lhe algum alento!... É bom recordar, para tanto ainda lhe permitia a sua lucidez!.. Sentiu as lágrimas a escorrer pela face, limpou-as com o lenço que trazia no bolso, olhou as visitas, levantou-se e foi mijar ao quintal!... Sim, isso ele ainda conseguia fazer sem ajuda.    

O Natal está aí à porta, é isso que eu digo! E quero, com todo o respeito, lançar a discussão sobre o tema do abandono e do isolamento!



segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

É justo!...

É justo, ter de nascer um dia.

É justo...
Que passemos pela vida 
E o sabor dela tirarmos,
O doce, o amargo, o demasiadamente salgado
Ou até mesmo, o totalmente insosso...

É justo, ter de morrer um dia!... 

Foto: "L´art de la photographie!"

domingo, 24 de novembro de 2024

Conceito estapafúrdio... 4 - Deus

 Deus

     Tenho a ideia de Deus como um ser infinito, eterno, perfeito que tudo vê, tudo ouve e em todo o lado está!... É possível haver um ser assim? É, porque consigo concebe-lo na minha ideia, e eu não sou perfeito, longe disso!
     Nada é eterno, alguém disse. Ora bem, concordo perfeitamente, que a nossa existência terrestre seja muito limitativa, enquanto ser vivo. Outras coisas, porém, atingem tal longevidade que nos leva a pensar que poderão ser eternas, mesmo que essa suposta eternidade tenha sofrido, e ainda sofra mudanças, que por sinal, muito substanciais. Senão vejamos, o mundo existe há milhões de anos, e outros milhões de anos tem pela frente. Dizem que o seu fim poderá estar próximo! Dizem,  especula-se… porque, seguramente, ninguém o poderá afirmar com toda a clareza e certeza. Toda a matéria nele existente é submetida a constantes mudanças, fruto da evolução do Homem. Contudo, essa alteração não significa deterioração nem o caminho para o colapso. Portanto, vamos acreditar que o fim só existe em cada um de nós enquanto matéria.      
     Deus confunde-se numa ideia virtual, num ser no seu estado físico. Como será Deus?... Aquela ideia que temos, como uma pessoa vestida de branco, com barbas brancas, não pode existir! Quando muito será uma mistura de homem com mulher numa imagem mista! Com será, não sei, mas também acredito que ninguém sabe! Quando muito, é uma ideia presente na mente de cada um!!!   






quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Histórias daquele tempo com piada - 4

 O sr. Sousa e o tractor de areia…


     Finais da década de 70, princípios da de 80, era eu um adolescente que já fumava uns paivantes, e aos domingos frequentava as discotecas lá da zona, isto, claro está, quando havia um dinheirito no bolso. Como tal, dava jeito prestar uns servicitos a alguém, pois sempre se ganhava uns cobres, que no mínimo, dava  para uns macitos de tabaco!
     Ora então, naquele altura, o Sr. António Maria, (o sr. Sousa, como a gente lhe chamava), andava a construir a sua casa, e pediu a dois rapazes lá da terra, eu e o Chico, para lhe carregarem um tractor de areia, na praia da ribeira da Lomba. Naquela altura, antes da barragem, a praia da ribeira tinha areia que nunca mais acabava, aquilo parecia um deserto, era areia que dava para dar e vender! Demoramos uma manhã a carregar, à pá, o trator do Zé da Olívia, e depois, também a descarregas à pá, na casa do Sr. Sousa. Claro, ficamos cansados, mas ao mesmo tempo também satisfeitos, e até já esfregávamos as mãos de contentes porque acreditávamos que íamos receber uns cobres do sr. Sousa, pelo trabalho prestado!... E não é que o Sr. Sousa se vira para nós,  com um sorriso rasgado, quase que, de orelha a orelha, todo satisfeito pelo trabalho realizado, e diz:
     - Eu dava-vos qualquer coisita, mas vós dizeis já que não é nada!...
     Eish!... Pois olhem, caiu-nos tudo, carago. Ficamos de tal forma descolhoados que não tivemos reacção para dizer mais nada!!!...  
     É preciso que se note, e em sua memória, que o sr. Sousa sempre se deu bem com a malta jovem lá da terra, e nunca ninguém lhe faltou ao respeito, mas que esta saída teve piada, teve!... Eu e o Chico, é que não achamos piada nenhuma. 







terça-feira, 19 de novembro de 2024

Poemas de dois em dois - 25

O Arrependido...!

Quando morreres,
Eu vou-te dizer:

- Ama os cabelos que aqueceram a tua alma...
- Ama os olhos que viram o sorriso do teu rosto...
- Ama a boca que beijou a tua face...

Eu já lá estou!...


domingo, 17 de novembro de 2024

Conceito estapafúrdio 3 - A palavra

 A palavra…

     A palavra, foi sem dúvida, a melhor invenção do Homem, (a seguir à roda), para comunicar, quer seja escrita, quer seja oral. E a palavra é uma coisa muito séria, à pois é! Querem ver?... Vejamos: Quando dizemos, tens a minha palavra ou palavra de honra, a coisa tem de ser levada a sério, pois claro, porque não se brinca com as palavras. Em tempos mais antigos havia mesmo quem acreditasse mais na palavra, que naquilo que se escrevia!..  Mas também há aqueles que dizem; palavras leva-as o vento! Certo, são palavras ditas sem qualquer sentido, às quais não se lhes dá a devida importância, ou não têm mesmo importância nenhuma!
     A palavra, portanto, quando verbalizada de forma oral, corre um sério risco de só sair asneira, que é como quem diz: - “Abres a boca só dizes merda”! Mas quando ela é escrita a coisa pia fino, pois temos mais que tempo para ler e reler aquilo que escrevemos, e há que ter um certo cuidado. Aqui atrasado, li, numa entrevista, a um jornal, que o escritor norte-americano Harlan Coben, disse que a escrita é uma das poucas actividades em que a quantidade produz qualidade. Pois bem, eu até concordo, porque quanto mais merda se escreve, maior é a probabilidade de sair  merda da boa!...   
     Ter a palavra, é o acto de exercer o direito de verbalizar perante uma assembleia, e, que bonito que é!... Ter o dom da palavra é ser um bom falante!... Mas também se deve ter muito cuidado para quem se fala. Há muitos que dizem: «olha, este está a falar para a central.», e outros: «e se fosses falar para o caralho!»… Pois, é aqui que é preciso ter muito cuidado!...




segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Histórias daquele tempo com piada - 3

 Se vem cá a cima, vai lá a baixo!

     A D. Esmeralda, era uma senhora muito conceituada e considerada pela malta lá da aldeia, e morava logo ali, à entrada do caminho da Poça, mas morreu! Morreu, como toda a gente um dia tem de morrer… e, segundo os registos do meu falecido pai, foi precisamente no dia 10 de junho de 1983. Ora bem, a D. Esmeralda era uma senhora da cidade, e grande parte dos seus familiares moravam no Porto, creio até, que ela era avó do famoso músico maestro e compositor, também já falecido, José Calvário, cujo pai tinha uma casa na Lomba, e onde passava todos os fins de semana! Mas, não querendo desviar-me do assunto, dizia eu, que a D. Esmeralda morreu, e portanto, vieram ao seu funeral pessoas que eu não conhecia de lado nenhum. Tudo estava a correr muito bem; cortejo fúnebre em direcção à igreja, missa como era habitual, e siga para o cemitério. Agora aí, é que a coisa começou a correr mal, não é que os coveiros tiraram mal as medidas ao morto, ou alguém lhas deu, sei lá, e o caixão não cabia na cova!...  Ó cum caralho, aquela malta lá da cidade ficou toda indignada e os coveiros, claro, ficaram fodidos, e tiveram de saltar para dentro da cova, para alargar a sepultura. Foi quando, um dos coveiros, de tantos insultos que ouviu, ficou tão revoltado e tão indignado, que se virou para a malta que lá estava, e disse:
      - “Os cóveros não bibem do cemitéro!”- verdade, que foi assim mesmo que eu ouvi, que é como quem diz, que não é com isso que ganha a vida, e preparou-se para subir da cova com a pá na mão, abandonar o serviço e tirar satisfações com um sujeito que estava cá em cima!... 
      Foi então que um dos familiares da D. Esmeralda, um engravatadinho, magro e baixinho, mas todo entesoado, lhe diz cheio de coragem:
     - Se vem cá a cima vai lá a baixo! – O coveiro era bem mais encorpado, mas a coisa morreu ali!...
  Felizmente!         


quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Conceito estapafúrdio 2 - A corda

 A corda!...

A corda tem um significado próprio e substancial, mas quando se junta o artigo ao substantivo, «acorda», o significado é outro, passa a ser uma forma verbal!
Mas deixemo-nos ficar mais pela corda substantivo, que é uma coisa com que lidamos frequentemente, e que também poderá ser um cordão, uma cordita, uma guita, ou até mesmo um nagalho, como aqueles que se usavam, e usam, para atirar o peão! A corda solta as amarras, a corda prende as amarras, a corda cria a união de partes, e é sempre uma tragédia, quando ela rebenta, mas reparem que a corda, tanto pode ser um objecto que alimenta a vida, como um objecto que tira a vida!... Lembremo-nos, pois, daquele cordão, o umbilical, pelo qual fomos alimentados no útero da mãe. Mas também, não nos podemos esquecer daquela corda, que presa numa trave de madeira, ou numa árvore, aperta o gasganete e faz esticar o pernil!...
  E isto, para não falar na corda bamba, que não sabe para onde há de cair. A corda, portanto, é uma filha da puta, tanto aperta como desaperta, tanto prende como desprende, e também é uma indecisa. Eu diria que não é de confiar!...


Foto: "L´art de la photographie!"

domingo, 29 de setembro de 2024

Histórias daquele tempo com piada - 2

 A mousse de chocolate!

A Carvalheira, uma zona de praia do rio douro, era um paraíso!... Era, e digo-o com toda a certeza!... Frescura, espaços verdejantes e um cheiro a natureza, que quase fazia embebedar um gajo.
      Cana de pesca na mão,  saco ao ombro com os apetrechos de pesca e o respetivo lanchinho, e lá  vão eles, em direção ao rio douro para uma pescaria!... Eramos quatro; eu , o Vasco, o Chico e o Ruca. Tudo rapazes na casas dos vinte anos, estávamos nos princípios da década de 80!...
      Finais de junho, um início da tarde com muito sol e bastante calorento, quando chegamos ao rio douro, na praia da Carvalheira. Ainda tenho, bem presente na memória, aquele cheiro a rio, e a imagem de todo aquele verde de uma variada vegetação… que paisagem! A água era fresca e limpa que até dava vontade de a beber, e bebíamos com todo o prazer!... A maré estava baixa, e, quase no meio do rio, vejo o Ruca com a cana na mão e com alguma dificuldade em manter o equilíbrio, devido às fortes correntes dos galheiros. Mais abaixo, num daqueles pequenos lagoeiros, que se formavam na margem, lá estavam os outros dois!...  E que dois, ainda lambiam a beiça de contentes, e eu sem perceber nada. Quando cheguei junto do meu saco, onde tinha o lanche, fiquei fodido!... Mas caramba, dava tudo para voltar ao tempo em que aqueles dois “filhos da puta” me comeram a mousse de chocolate!...

Nota:- O Ruca já faleceu, os outros dois (Vasco e Chico) ainda me estão a dever um jantar!...


19 Julho 2023






sábado, 14 de setembro de 2024

Poemas de dois em dois - 24

Um futuro aqui ao lado...

Que tão linda que era,
Que tão lindo seria o mundo,
Se eu colhesse as cerejas do mar
E visse meus olhos voar.

Não te prendas, vai devagar
Sente os passos que caminhas
Mas olha,  vê se atinas
Que não estou para te aturar!...




sábado, 31 de agosto de 2024

É preciso ter...

Se houvera quem os quisesse 
Quem os queria não tinha
Tinha sim quem não queria
Que houvesse quem os quisesse!...



sexta-feira, 30 de agosto de 2024

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Conceito estapafúrdio 1 - O furo

O furo

É um percurso extenso de vários quilómetros de estacas todas furadas, por onde passa uma corda, e logo havia de ter uma sem furo (3ª estaca do lado direito)! E o quanto importante é o furo!... Senão vejamos:
No limite poderemos dizer que é por um furo que se dá o princípio da vida. Bom, não podemos dizer que se trate propriamente de um furo, mas é algo de semelhante, quer na entrada, quer na saída. E isto, para não falar naquele que está  ao fundo das costas, o mal cheiroso, o poluidor, o evacuador, e muitas mais outras designações que não me atrevo a dizer.. Seguramente que todos concordarão que é através do furo que se dá a extração, o acontecimento, a passagem, seja ela qual for e para onde for!... E há muitas mais furos de que poderíamos falar, como por ex: Furo de água, furo jornalístico , furo na aula, furo no pneu, furo no chão, furo na parede…  
Mas fiquemos pelo furo propriamente dito, aquele a que os meninos chamam de  “fuinho”, uma coisa semelhante a um “buaquinho na paede”! Portanto, o furo é um denominador comum, há que cuidar dele!...

14 Novembro 2023


segunda-feira, 15 de julho de 2024

Marcas do tempo...

 As veias elevam-se nas minhas mãos
Nas tuas mãos, eu me recordo de as ver, meu pai!
- Criança, eu era!...



sábado, 13 de julho de 2024

Histórias daquele tempo com piada - 1

 Olha, vai fudete!!!

Estávamos na década de 80, Cilinha era uma menina, que teria na altura, uns 4, 5 anos e recuperava de uma doença, daquelas doenças de criança, viroses que ninguém sabe como é que chegam nem como é que vão... Brincava ela, toda contente, ali junto da mercearia dos seus pais, do Mota e da Milita. Sempre que por lá passava, e a via, o meu amigo Barbosa, muito preocupado com saúda da pequerrucha, perguntava-lhe:
- Então Cilinha, está melhor?
E ela respondia toda animada:
- “Bigada, tou melhocita”
O Barbosa achava-lhe uma enorme graça e todos os dias lhe perguntava a mesma coisa, e a Cilinha lá respondia da mesma forma!... Não é que um certo dia, a Cilinha, como quem já não acha graça nenhuma, e já cansada de lhe perguntarem sempre a mesma coisa, lhe responde com toda a determinação o ousadia.
 - Olha, vai “fudete”!...

8 de Abril 2020