domingo, 23 de novembro de 2025

Poemas de dois em dois - 34

Palavras do vento...

No som do tempo
Eu crio o sentimento,
E associo ao sentimento
As palavras arrastadas pelo vento!



sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Conceito estapafúrdio... 7 - Eutanásia

 A Eutanásia - ideia

     Tinha ideia de que, essa coisa da morte assistida não iria ser aprovada pelo parlamento! E foi, e foi de tal forma expressiva, que no dia 20 de fevereiro de 2020 votaram 127 deputados a favor e 86 contra. E, este mesmo projecto, sobre a eutanásia, havia sido chumbado pelos deputados no dia 29 maio de 2018, com 107 votos a favor e 116 contra. Ora, constatamos que houve deputados que tomaram consciencialização em facilitar a morte daqueles que querem ver a sua vida reduzida devido ao sofrimento irreversível (dizem eles). Digo eu, que ninguém no seu estado normal, e perfeitamente consciente, quer por termo a sua vida. Esses que o querem, provavelmente estão a passar por uma fase depressiva, e encontram no suicídio a única solução para os seus problemas e sofrimento.
     Uns querem a toda a força que a eutanásia seja legalizada, outros não, e até querem que se faça um referendo. Mas isto não é referendável. Tão pouco eu legitimei o parlamento, com o meu voto, para que possa decidir sobre a vida ou sobre a morte. Não quero sequer acreditar, que esta lei surge de forma a minimizar os custos com os cuidados paliativos. Não creio que seja essa a razão. Contudo, eu acho que seria mais lógico dotar a classe médica com mais meios para promover a vida, e não a morte. Na prática, dirá um paciente que quer ver a sua morte abreviada:
     - Quero suicidar-me e não consigo, seja você a fazê-lo! -  Fundamentalmente, a eutanásia a ser aplicada de forma legal, será naquela pessoa, que, no seu estado perfeitamente consciente, pede que lhe seja aliviado o sofrimento através da morte medicamente assistida. Dizem que é uma morte suave e tranquila!... Eu não sei se é tanto assim, porque, até hoje ninguém cá voltou para confirmar!  
     Reitero, pois, o meu total desacordo e indignação com a prática da eutanásia. Não acho que seja, como alguns dizem, um acto honroso e de enorme dignidade e compaixão para com aqueles que sofrem e pedem para morrer. A morte só pode acontecer uma vez, a decisão de desejar e anunciar a nossa morte, como tal, é um acto único, e nunca o deveríamos delegar em terceiros. Devemos delegar, sim, é a possibilidade, de prolongar a vida e manter a nossa existência. 
     Esta lei, vai ser agora, discutida e votada na especialidade. Não sei o que vai acontecer, mas acredito nas novas gerações, novas mentalidades, novas ideias!... A minha é esta! 

8 de Março 2020

A Lei da Eutanásia (Lei n.º 22/2023) foi publicada no Diário da República em 25 de maio de 2023. No entanto, a entrada em vigor da lei depende da sua regulamentação pelo Governo, que deveria ter ocorrido no prazo de 90 dias após a publicação, o que até agora não aconteceu. 
21/11/2025.



domingo, 16 de novembro de 2025

Poemas de dois em dois - 33

 Infinitamente

Corri velozmente
E já era sol posto.
É uma luz que se abranda
E uma paz que vê no rosto
No silêncio da tarde calma.

Tão igual
Tão diferente
É um sol que me abraça
Num mar que não se cansa,
A cada instante a mudança
.



segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Poemas de dois em dois - 32

Gotas de amor!

A nuvem que passa
Ouve o meu corpo
Em conversas cruzadas.

Ela diz que me ama
Ela diz que me chora!

Por entre gotas de palavras passadas
Um pingo de lágrima
Se afunda no chão da minha alma!



quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Aconchego!

 Crónica do aconchego

No início até pensei
 que poderia ter sido por um outro motivo. Mas não, depressa percebi do que se tratava. A minha filha Carolina é uma criança franzininha e aquela hora da noite entra no meu quarto de almofada debaixo do braço, de olhar tristonho e quase a chorar, diz muito baixinho: - "não consigo dormir e o meu coração está a bater muito depressa". Claro que fiquei preocupado. De imediato cedi-lhe passagem e ela lá se enfiou no nosso meio. Ora bem, uma cama para dois é quanto basta, três a coisa  mais fica complicada no que toca a liberdade de movimentos, mas lá tive que me adaptar. Carolina adormeceu em três tempos e eu ainda me mantive algum tempo acordado a contemplar o seu sono. Sabia que ela estava na sua zona de conforto e o coração, naturalmente, já não batia tão depressa. Adormecer assim, naquela posição de barriga pró ar, é certo e sabido que iria causar ruídos desagradáveis. Ainda me recordo de a meio da noite tentar virar-me de lado, mas senti o meu cotovelo bater em algo duro, ouvi um "Ai", de imediato pedi desculpa e mantive a posição inicial. Carolina, 10 anos feitos, cheia de ternura e carinho, dormia ali a meu lado feliz e despreocupada de qualquer sobressalto. Bom seria que a Carolina  não crescesse e ficasse sempre nesta idade, no aconchego dos pais!... Naturalmente que ela vai crescer e tudo vai ser diferente...! E não é, que a primeira coisa que ela disse quando acordou foi: - "Ó pai tu ressonas muito alto!" - Acredito, eu é que não ouvi nada!...

Escrito a 12 de 
março 2017





terça-feira, 4 de novembro de 2025

Histórias daquele tempo com piada - 10

 O Toni a trovoada e o terço!

        Éramos ambos, duas crianças que brincavam descontraídas junto das austrálias, uma pequena vegetação que ficava entre a casa de meus pais, lugar da Pedreira, e a casa do Toni, quinta do Buraco. Não tenho, sequer, ideia do que estaríamos a brincar, mas, fosse o que fosse, quando aqueles trovões potentes estalaram por cima das nossas cabeças a primeira reação que tivemos foi correr a toda a pressa para debaixo de um telhado. E disparamos a correr em direção à quinta do Buraco. Eu, um puto que andaria pela casa dos seis, sete anos, estava de tal forma estarrecido pelo medo que nem um feijão me cabia no cu. O Toni, alguns anos mais velho que eu, tomou a dianteira, e correu a bom correr, indo parar à cozinha da casa da quinta.  Naquela altura, a casa, que hoje já não existe, ficava num vale ladeada por árvores altas, o que tornava mais aterrador o ribombar da trovoada. Encostados a um canto da cozinha, a tremer como varar verdes, lá estávamos nós, a olhar um para o outro sem saber o que fazer, até que o Toni, de voz trémula e com um ar aterrador, me diz:  -Vamos rezar o terço, eu rezo pelos dedos e tu ditas os mistérios! - Sim, porque em minha casa, à noite, sempre se rezou o terço e era suposto eu saber ditar os mistérios. E assim, abstraídos do que se passava lá fora, acabamos por rezar umas quantas “Ave Maria” e uns quantos “Pai Nosso”, até que, sem que tivéssemos terminado o terço, a tempestade tinha acabado!... Saímos, com algum receio, mas felizes porque tínhamos escapado, e o que vimos foi um cenário maravilhoso! A quinta, toda ela, encontrava-se coberta por um manto branco de saraiva, uma tal coisa, que eu ainda hoje tenho essa imagem presente…! Eu e Toni, corremos, feitos duas crianças felizes, para brincar com a saraiva!!!  

Original publicado em 
30-06-2017 no Facebook



segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Conceito estapafúrdio... 6 - A inglesa!

 

A INGLESA
            De algum tempo para cá, que tenho vindo a perder simpatia pelos ingleses. Digo, no entanto, que nutria por essa malta uma certa simpatia, desde que, reza a história, o duque de Wellington expulsou os franceses daqui para fora (entenda-se Portugal)!... Mas, voltando aos tempos de hoje, devo dizer que a coisa inverteu o bico ao prego logo após o momento em que aquele casal de ingleses, chamados de McCann, vieram para Portugal com os seus filhos e deixaram que a sua filha Maddie McCann (menina de 4 anos) desaparecesse sem que ninguém saiba o que lhe aconteceu ou para onde foi, ou se calhar sabem, só que não querem dizer. Bom, mas não me vou estender mais sobre esse assunto. Contudo, foi a partir daí que os ingleses começaram a denegrir a imagem dos portugueses a começar pela polícia, enviando para cá elementos da Scotland Yard altamente conceituados que não descobriram merda nenhuma. E como se não bastasse, ainda insultaram a classe canina com os cães pisteiros, farejadores de cadáveres, que trouxeram para farejar não sei o quê, como se os nossos estimados caninos não soubessem farejar!... 
         Há uns dias, passo por umas das praias de Gaia (Granja), e vejo um vulto estendido na areia, junto ao mar, a dormir ao sol (foto). Aquilo até poderia parecer muito normal, mas a personagem, aparentemente do sexo feminino, estava vestida dos pés à cabeça, como se tratasse de um dia de inverno, e a temperatura deveria rondar os 28º.  Muito esquisito, vestida daquela forma, e a segurar com a mão um trolley de viagem! Aquela cena até me fez lembrar a Linda de Suza dos anos 70!... Aproximei-me e perguntei se precisava de ajuda, uma e duas vezes, sem obter resposta. De repente a criatura mexe-se e vejo surgir um rosto branco como a neve, que pronuncia de uma forma rude, áspera e mal-educada: “I do not speak portuguese”!  E continuou ali, estendida ao sol!…

19-06-2017