terça-feira, 24 de novembro de 2020

Poesia do adverso - 4



 SER


Eu queria ser poeta.
Fazer versos a preceito.
E diria, pela certa
tudo o que trago no peito.

Ah!. Se eu fosse pintor
pintava a tua janela
e no centro uma flora
a tinta de aguarela.

Antes eu fosse escultor.
Talhava na rocha dura
com ardor e com fervor
toda a tua formosura. 

Mas se eu fosse um actor
ou até mesmo cantor.
Cantava e representava.
cânticos e dramas de amor.

Mas eu quero é ser sincero
justo, leal, honesto.
Se nada disso eu espero.
Que me digam que não presto.


Nóbrega e Silva - Setembro 1988





terça-feira, 10 de novembro de 2020

Poesia do adverso - 3

 INTENTO

Levado no tempo
nas asas do vento
vagueia meu pensamento
buscando alimento
para seu sustento.

Transpirando de alento
neste dia cinzento
em tom pardacento
procuro e não tento
afogar um tormento
que trago cá dentro.

De noite ao relento
de olhar sonolento
olho o firmamento
e não vejo o momento
de dar acalento
ao meu sentimento.

Oh, meu Deus, eu rebento
a passo lento
num constante movimento.
E com que sofrimento
se processa o crescimento
como que a dar seguimento
ao triste acontecimento
que foi o meu nascimento.

Tiago Salgado - Agosto 1988 





Poemas de dois em dois - 14

O fundo....
E eu queria ver o que por lá vai,
Queria ver para além daquilo que é!
Se é que o é!...