Só, no meio de pessoas!
As refeições são necessidades básicas diárias
de vital importância para a nossa sobrevivência, mas reconheço que mais
importante ainda, não é o que se come, mas sim com quem se come. O prazer está
no convívio do momento da refeição. Uma prática social muito saudável.
Era uma família numerosa, mais os
animais de estimação, mas sempre, ou quase sempre, ele comia sozinho. Muito
raramente, mulher e filhos, lhe faziam companhia durante as refeições. As novas
tecnologias dispersavam o convívio!... Cada um se refugiava no seu canto
absorvido pelas redes sociais, pelas conversas online, pelos jogos online, pela
informação e comunicação, quase que em tempo real!... Mas, o que mais o
entristecia e chocava, era ele ver a mulher colocar os pratos na mesa e os
filhos retiravam-nos um a um, aqueciam e iam comer para o quarto, cada qual no
seu canto, agarrados ao telemóvel ou no computador na secretária a jogar vídeo jogos,
ou outra coisa qualquer!...
Que muito lhe custava comer sozinho.
Já muitas vezes ele pensou em ligar com alguém conhecido e convida-lo a vir
almoçar, ou jantar consigo,… porque ele sentia-se só!... Muito embora fosse uma
casa cheia de gente, não sentia as pessoas junto dele.
Ouve-se um silêncio…. E o silêncio faz um
ruído tão alto que se ouve profundamente,
e magoa, e fere, de tão intenso, que por vezes ele se torna. Tinha uma
cadelinha ternurenta de pequeno porte, que era a sua única companhia. Quando
estava sentado à mesa, ela enroscava-se junto dos seus pés e ali fica, à espera
que se levantasse e fizesse alguma coisa, e sempre a observar cada passo que
ele dava!…
A capacidade de percebermos o
silêncio e interpretarmos os sinais do
mesmo, não é fácil. E mais difícil se torna quando colocamos essa capacidade
nos outros, em querer que percebam, aquilo que em silêncio transmitimos.
Tendencialmente não resulta, e acabamos sempre por cicatrizar sozinhos a ferida
de um silêncio dilacerante!...
26 de Março 2020

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