Crónica do aconchego
No início até pensei que poderia ter sido por um outro motivo. Mas
não, depressa percebi do que se tratava. A minha filha Carolina é uma criança
franzininha e aquela hora da noite entra no meu quarto de almofada debaixo do
braço, de olhar tristonho e quase a chorar, diz muito baixinho: - "não
consigo dormir e o meu coração está a bater muito depressa". Claro que
fiquei preocupado. De imediato cedi-lhe passagem e ela lá se enfiou no nosso
meio. Ora bem, uma cama para dois é quanto basta, três a coisa
mais fica complicada no que toca a liberdade de movimentos, mas lá tive
que me adaptar. Carolina adormeceu em três tempos e eu ainda me mantive algum
tempo acordado a contemplar o seu sono. Sabia que ela estava na sua zona de
conforto e o coração, naturalmente, já não batia tão depressa. Adormecer assim,
naquela posição de barriga pró ar, é certo e sabido que iria causar ruídos
desagradáveis. Ainda me recordo de a
meio da noite tentar virar-me de lado, mas senti o meu cotovelo bater em algo
duro, ouvi um "Ai", de imediato pedi desculpa e mantive a posição
inicial. Carolina, 10 anos feitos, cheia de ternura e carinho, dormia ali a meu
lado feliz e despreocupada de qualquer sobressalto. Bom seria que a Carolina não crescesse e ficasse sempre nesta idade, no
aconchego dos pais!... Naturalmente que ela vai crescer e tudo vai ser
diferente...! E não é, que a primeira coisa que ela disse quando acordou foi: -
"Ó pai tu ressonas muito alto!" - Acredito, eu é que não ouvi
nada!...
Escrito a 12 de março 2017
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
Aconchego!
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