quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Aconchego!

 Crónica do aconchego

No início até pensei
 que poderia ter sido por um outro motivo. Mas não, depressa percebi do que se tratava. A minha filha Carolina é uma criança franzininha e aquela hora da noite entra no meu quarto de almofada debaixo do braço, de olhar tristonho e quase a chorar, diz muito baixinho: - "não consigo dormir e o meu coração está a bater muito depressa". Claro que fiquei preocupado. De imediato cedi-lhe passagem e ela lá se enfiou no nosso meio. Ora bem, uma cama para dois é quanto basta, três a coisa  mais fica complicada no que toca a liberdade de movimentos, mas lá tive que me adaptar. Carolina adormeceu em três tempos e eu ainda me mantive algum tempo acordado a contemplar o seu sono. Sabia que ela estava na sua zona de conforto e o coração, naturalmente, já não batia tão depressa. Adormecer assim, naquela posição de barriga pró ar, é certo e sabido que iria causar ruídos desagradáveis. Ainda me recordo de a meio da noite tentar virar-me de lado, mas senti o meu cotovelo bater em algo duro, ouvi um "Ai", de imediato pedi desculpa e mantive a posição inicial. Carolina, 10 anos feitos, cheia de ternura e carinho, dormia ali a meu lado feliz e despreocupada de qualquer sobressalto. Bom seria que a Carolina  não crescesse e ficasse sempre nesta idade, no aconchego dos pais!... Naturalmente que ela vai crescer e tudo vai ser diferente...! E não é, que a primeira coisa que ela disse quando acordou foi: - "Ó pai tu ressonas muito alto!" - Acredito, eu é que não ouvi nada!...

Escrito a 12 de 
março 2017





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