quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Histórias daquele tempo com piada - 9

 MALAS À PORTA – serenidade e conclusão!…

                Já muitas vezes, qualquer um de nós (homens) foi confrontado com aquela vulgar ameaça da mulher: - “Qualquer dia chegas a casa e tens as malas à porta”, ou então, pelo conselho de um amigo: - “Não te ponhas fino não, um dia destes a tua mulher põe-te as malas à porta”. Com Arnaldo, e naquele dia fatídico, nem aconteceu ameaça nem conselho, foi literalmente malas à porta, e de um tal aparato, que até parecia uma banca de roupa na feira do bairro do Cerco! 
         Arnaldo, há já algum tempo que vinha dando sinais de desinteresse conjugal. Tinha conhecido Madalena numa das suas saídas noturnas, e deste então, a coisa vinha-se desenrolando de fininho sem que ninguém desse por nada, principalmente Dolores, que sempre empenhada nas suas lides domésticas, nem lhe passou pela cabeça tal coisa, muito embora, já andasse um pouco desconfiada das atitudes do Arnaldo. E o mal foi esse! Foi Arnaldo abusar da sorte e naquele dia quis ir ao café da praça exibir a sua conquista. Azar, depressa a notícia chegou aos ouvidos da Dolores que a espumar de raiva e ódio, se pôs a caminho para por as coisas a limpo, decidida a apanhar o Arnaldo em flagrante. Se Arnaldo tinha amigos, ficou provado naquele momento: - “Ó Arnaldo, olha que eu vi a tua mulher e a irmã, ali na praça e andam à tua procura”! Arnaldo bem que se esgueirou, mas não foi o suficiente para evitar que Dolores não se apercebesse do que ele lhe andava a fazer: - “Ah Arnaldo, nem sabes o que te espera, deixa-te chegar a casa que já vais ver!...” Dolores, mulher de “tomates”, de pulso, de atitude, de caráter!… Se bem pensou melhor o fez! 
         Malas, sacos, trouxas e a granel!… Era assim que todos os seus haveres estavam depositados à entrada da sua casa! Espetáculo deplorável, e como se não bastasse lá estavam os mirones dos vizinhos a registar a ocorrência!… No dia seguinte Arnaldo apareceu tranquilamente no café da praça: - “Ó Arnaldo, então o que aconteceu, entre ti e a Dolores?”  Arnaldo respirou fundo e disse muito seguro: - “VOCÊS NEM SABEM A ROUPA QUE UM HOMEM TEM?!… E SAPATOS?!!!" 

Nota: - Conto adaptada de um caso real, todos os personagens e locais são fictícios. Os meus agradecimentos ao Sr. Sampaio da marina da Afurada. - Recriado do original de 2017




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