domingo, 24 de novembro de 2024

Conceito estapafúrdio... 4 - Deus

 Deus

     Tenho a ideia de Deus como um ser infinito, eterno, perfeito que tudo vê, tudo ouve e em todo o lado está!... É possível haver um ser assim? É, porque consigo concebe-lo na minha ideia, e eu não sou perfeito, longe disso!
     Nada é eterno, alguém disse. Ora bem, concordo perfeitamente, que a nossa existência terrestre seja muito limitativa, enquanto ser vivo. Outras coisas, porém, atingem tal longevidade que nos leva a pensar que poderão ser eternas, mesmo que essa suposta eternidade tenha sofrido, e ainda sofra mudanças, que por sinal, muito substanciais. Senão vejamos, o mundo existe há milhões de anos, e outros milhões de anos tem pela frente. Dizem que o seu fim poderá estar próximo! Dizem,  especula-se… porque, seguramente, ninguém o poderá afirmar com toda a clareza e certeza. Toda a matéria nele existente é submetida a constantes mudanças, fruto da evolução do Homem. Contudo, essa alteração não significa deterioração nem o caminho para o colapso. Portanto, vamos acreditar que o fim só existe em cada um de nós enquanto matéria.      
     Deus confunde-se numa ideia virtual, num ser no seu estado físico. Como será Deus?... Aquela ideia que temos, como uma pessoa vestida de branco, com barbas brancas, não pode existir! Quando muito será uma mistura de homem com mulher numa imagem mista! Com será, não sei, mas também acredito que ninguém sabe! Quando muito, é uma ideia presente na mente de cada um!!!   






quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Histórias daquele tempo com piada - 4

 O sr. Sousa e o tractor de areia…


     Finais da década de 70, princípios da de 80, era eu um adolescente que já fumava uns paivantes, e aos domingos frequentava as discotecas lá da zona, isto, claro está, quando havia um dinheirito no bolso. Como tal, dava jeito prestar uns servicitos a alguém, pois sempre se ganhava uns cobres, que no mínimo, dava  para uns macitos de tabaco!
     Ora então, naquele altura, o Sr. António Maria, (o sr. Sousa, como a gente lhe chamava), andava a construir a sua casa, e pediu a dois rapazes lá da terra, eu e o Chico, para lhe carregarem um tractor de areia, na praia da ribeira da Lomba. Naquela altura, antes da barragem, a praia da ribeira tinha areia que nunca mais acabava, aquilo parecia um deserto, era areia que dava para dar e vender! Demoramos uma manhã a carregar, à pá, o trator do Zé da Olívia, e depois, também a descarregas à pá, na casa do Sr. Sousa. Claro, ficamos cansados, mas ao mesmo tempo também satisfeitos, e até já esfregávamos as mãos de contentes porque acreditávamos que íamos receber uns cobres do sr. Sousa, pelo trabalho prestado!... E não é que o Sr. Sousa se vira para nós,  com um sorriso rasgado, quase que, de orelha a orelha, todo satisfeito pelo trabalho realizado, e diz:
     - Eu dava-vos qualquer coisita, mas vós dizeis já que não é nada!...
     Eish!... Pois olhem, caiu-nos tudo, carago. Ficamos de tal forma descolhoados que não tivemos reacção para dizer mais nada!!!...  
     É preciso que se note, e em sua memória, que o sr. Sousa sempre se deu bem com a malta jovem lá da terra, e nunca ninguém lhe faltou ao respeito, mas que esta saída teve piada, teve!... Eu e o Chico, é que não achamos piada nenhuma. 







terça-feira, 19 de novembro de 2024

Poemas de dois em dois - 25

O Arrependido...!

Quando morreres,
Eu vou-te dizer:

- Ama os cabelos que aqueceram a tua alma...
- Ama os olhos que viram o sorriso do teu rosto...
- Ama a boca que beijou a tua face...

Eu já lá estou!...


domingo, 17 de novembro de 2024

Conceito estapafúrdio 3 - A palavra

 A palavra…

     A palavra, foi sem dúvida, a melhor invenção do Homem, (a seguir à roda), para comunicar, quer seja escrita, quer seja oral. E a palavra é uma coisa muito séria, à pois é! Querem ver?... Vejamos: Quando dizemos, tens a minha palavra ou palavra de honra, a coisa tem de ser levada a sério, pois claro, porque não se brinca com as palavras. Em tempos mais antigos havia mesmo quem acreditasse mais na palavra, que naquilo que se escrevia!..  Mas também há aqueles que dizem; palavras leva-as o vento! Certo, são palavras ditas sem qualquer sentido, às quais não se lhes dá a devida importância, ou não têm mesmo importância nenhuma!
     A palavra, portanto, quando verbalizada de forma oral, corre um sério risco de só sair asneira, que é como quem diz: - “Abres a boca só dizes merda”! Mas quando ela é escrita a coisa pia fino, pois temos mais que tempo para ler e reler aquilo que escrevemos, e há que ter um certo cuidado. Aqui atrasado, li, numa entrevista, a um jornal, que o escritor norte-americano Harlan Coben, disse que a escrita é uma das poucas actividades em que a quantidade produz qualidade. Pois bem, eu até concordo, porque quanto mais merda se escreve, maior é a probabilidade de sair  merda da boa!...   
     Ter a palavra, é o acto de exercer o direito de verbalizar perante uma assembleia, e, que bonito que é!... Ter o dom da palavra é ser um bom falante!... Mas também se deve ter muito cuidado para quem se fala. Há muitos que dizem: «olha, este está a falar para a central.», e outros: «e se fosses falar para o caralho!»… Pois, é aqui que é preciso ter muito cuidado!...




segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Histórias daquele tempo com piada - 3

 Se vem cá a cima, vai lá a baixo!

     A D. Esmeralda, era uma senhora muito conceituada e considerada pela malta lá da aldeia, e morava logo ali, à entrada do caminho da Poça, mas morreu! Morreu, como toda a gente um dia tem de morrer… e, segundo os registos do meu falecido pai, foi precisamente no dia 10 de junho de 1983. Ora bem, a D. Esmeralda era uma senhora da cidade, e grande parte dos seus familiares moravam no Porto, creio até, que ela era avó do famoso músico maestro e compositor, também já falecido, José Calvário, cujo pai tinha uma casa na Lomba, e onde passava todos os fins de semana! Mas, não querendo desviar-me do assunto, dizia eu, que a D. Esmeralda morreu, e portanto, vieram ao seu funeral pessoas que eu não conhecia de lado nenhum. Tudo estava a correr muito bem; cortejo fúnebre em direcção à igreja, missa como era habitual, e siga para o cemitério. Agora aí, é que a coisa começou a correr mal, não é que os coveiros tiraram mal as medidas ao morto, ou alguém lhas deu, sei lá, e o caixão não cabia na cova!...  Ó cum caralho, aquela malta lá da cidade ficou toda indignada e os coveiros, claro, ficaram fodidos, e tiveram de saltar para dentro da cova, para alargar a sepultura. Foi quando, um dos coveiros, de tantos insultos que ouviu, ficou tão revoltado e tão indignado, que se virou para a malta que lá estava, e disse:
      - “Os cóveros não bibem do cemitéro!”- verdade, que foi assim mesmo que eu ouvi, que é como quem diz, que não é com isso que ganha a vida, e preparou-se para subir da cova com a pá na mão, abandonar o serviço e tirar satisfações com um sujeito que estava cá em cima!... 
      Foi então que um dos familiares da D. Esmeralda, um engravatadinho, magro e baixinho, mas todo entesoado, lhe diz cheio de coragem:
     - Se vem cá a cima vai lá a baixo! – O coveiro era bem mais encorpado, mas a coisa morreu ali!...
  Felizmente!