O soneto do amigo que eu não tive
Desculpa amigo não seguir o teu conselho.
Dizias-me tu que devia seguir primeiro
O trajecto do caminho de um exemplo verdadeiro,
Não seguir a fantasia reflectida no espelho.
E eu fiz precisamente o contrário.
Não sei porquê, talvez porque em mim
Haja forças contrárias que me levem a ser assim:
-- Voar bem lá no alto a cair sobre o calvário!
Meus olhos permanecem caídos à luz da claridade.
Preferem sonhar constantemente, a estarem acordados
Perante a horrível sensação de sentir a realidade.
Se no meu corpo corre sangue cor de vermelho
E minhas mãos desfazem pedras em mil bocados,
Porquê amigo eu não segui o teu conselho?!...
Duarte Semedo - Novembro 1988
quarta-feira, 24 de maio de 2023
Poesia do adverso - 6
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