segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Histórias daquele tempo com piada - 3

 Se vem cá a cima, vai lá a baixo!

     A D. Esmeralda, era uma senhora muito conceituada e considerada pela malta lá da aldeia, e morava logo ali, à entrada do caminho da Poça, mas morreu! Morreu, como toda a gente um dia tem de morrer… e, segundo os registos do meu falecido pai, foi precisamente no dia 10 de junho de 1983. Ora bem, a D. Esmeralda era uma senhora da cidade, e grande parte dos seus familiares moravam no Porto, creio até, que ela era avó do famoso músico maestro e compositor, também já falecido, José Calvário, cujo pai tinha uma casa na Lomba, e onde passava todos os fins de semana! Mas, não querendo desviar-me do assunto, dizia eu, que a D. Esmeralda morreu, e portanto, vieram ao seu funeral pessoas que eu não conhecia de lado nenhum. Tudo estava a correr muito bem; cortejo fúnebre em direcção à igreja, missa como era habitual, e siga para o cemitério. Agora aí, é que a coisa começou a correr mal, não é que os coveiros tiraram mal as medidas ao morto, ou alguém lhas deu, sei lá, e o caixão não cabia na cova!...  Ó cum caralho, aquela malta lá da cidade ficou toda indignada e os coveiros, claro, ficaram fodidos, e tiveram de saltar para dentro da cova, para alargar a sepultura. Foi quando, um dos coveiros, de tantos insultos que ouviu, ficou tão revoltado e tão indignado, que se virou para a malta que lá estava, e disse:
      - “Os cóveros não bibem do cemitéro!”- verdade, que foi assim mesmo que eu ouvi, que é como quem diz, que não é com isso que ganha a vida, e preparou-se para subir da cova com a pá na mão, abandonar o serviço e tirar satisfações com um sujeito que estava cá em cima!... 
      Foi então que um dos familiares da D. Esmeralda, um engravatadinho, magro e baixinho, mas todo entesoado, lhe diz cheio de coragem:
     - Se vem cá a cima vai lá a baixo! – O coveiro era bem mais encorpado, mas a coisa morreu ali!...
  Felizmente!         


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