Morrer duas vezes…
A Srª Carlota, morava logo ali, ao lado da casa de meus pais. Um dia, reparando ela que seu filho mais novo se preparava para ir para o rio, tomar banho na praia de Quintelas!... Ai, Quintelas!... Quem não se lembra da praia de Quintelas?!... Era como se fosse a Côte d´Azur lá do sítio, e no entanto, não era assim tão frequentada pela malta. Mas quem lá ia, consolava-se, sol de manhã à noite, paz, tranquilidade, sossego! Um areal extenso e limpo, de uma areia tão fina como a do mar. As margens eram repletas de um gramão verde, com os choupos e os vimes a darem alguma sombra a todo aquele encanto!... E o rio carago, com aquelas enseadas e lagoeiros de água quente…, era um regalo. Tinha algumas quedas, que eram um perigo para quem não sabia nadar, mas a malta já as conhecia. Por vezes, na maré baixa, passava-se o rio de um lado para o outro com a água abaixo dos joelhos. Que saudade daquele tempo!... Ainda tenho bem presente na memória o cheiro doce do funcho que crescia areal fora, aquele, que raras vezes a maré la chegava. Quintelas, portanto, ficava logo abaixo da casa de meus pais e da casa da Srª Carlota, e aquilo era um tirinho, de casa pró rio e do rio pra casa…! E com toda esta conversa, já me esqueci do que queria dizer… ah, já sei! E então, a senhora Carlota, como todas as mães, ficava preocupada com o seu filho, ir assim pró rio, sem mais nem menos. E dizia ela, toda preocupada, e com voz de repreensão:
- “Vai pró rio e morre, que quando chegares a casa dou-te uma tareia que te mato”!Certo é, e felizmente, que o seu filho nunca levou a prometida tareia!

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