O sr. Sousa e o tractor de areia…
Finais da década de 70, princípios da de 80, era eu um adolescente que já fumava uns paivantes, e aos domingos frequentava as discotecas lá da zona, isto, claro está, quando havia um dinheirito no bolso. Como tal, dava jeito prestar uns servicitos a alguém, pois sempre se ganhava uns cobres, que no mínimo, dava para uns macitos de tabaco!
Ora então, naquele altura, o Sr. António Maria, (o sr. Sousa, como a gente lhe chamava), andava a construir a sua casa, e pediu a dois rapazes lá da terra, eu e o Chico, para lhe carregarem um tractor de areia, na praia da ribeira da Lomba. Naquela altura, antes da barragem, a praia da ribeira tinha areia que nunca mais acabava, aquilo parecia um deserto, era areia que dava para dar e vender! Demoramos uma manhã a carregar, à pá, o trator do Zé da Olívia, e depois, também a descarregas à pá, na casa do Sr. Sousa. Claro, ficamos cansados, mas ao mesmo tempo também satisfeitos, e até já esfregávamos as mãos de contentes porque acreditávamos que íamos receber uns cobres do sr. Sousa, pelo trabalho prestado!... E não é que o Sr. Sousa se vira para nós, com um sorriso rasgado, quase que, de orelha a orelha, todo satisfeito pelo trabalho realizado, e diz:
- Eu dava-vos qualquer coisita, mas vós dizeis já que não é nada!...
Eish!... Pois olhem, caiu-nos tudo, carago. Ficamos de tal forma descolhoados que não tivemos reacção para dizer mais nada!!!...
É preciso que se note, e em sua memória, que o sr. Sousa sempre se deu bem com a malta jovem lá da terra, e nunca ninguém lhe faltou ao respeito, mas que esta saída teve piada, teve!... Eu e o Chico, é que não achamos piada nenhuma.

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