FINGIMENTO DA RAZÃO
Eu não quero ser quem sou
Mas gosto de ser o que sou.
De sentir, de gostar,
De correr, de pular, de pensar...
De amar sem desesperar!
Que essa força do querer
Se vire contra o meu ser!
Que o faça despertar!
Que lhe diga para não parar
Sem nunca desesperar!
A minha vontade é querer
À razão desobedecer!
Esperar por quem não vem!
Querer passar o além
E ser tudo quem nada tem!
Essa ténue e vaga esperança
Me atormenta a lembrança!
E eu já não posso fingir!
Confunde-se o meu sentir
Por quem vai antes de vir!
E o lúgrebe anoitecer
Eu me julgo parecer
Quem eu ainda não sou!
Quando digo sim! - E me dou!
Quando digo não! - E não vou!
Miguel Savedra - Julho 89
Ilusão
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