quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Poemas de dois em dois - 28


A chuva da minha alma

A chuva da minha alma
Cai suave na tarde calma.

A chuva da minha alma  
Escorre calçada abaixo
E lava a lama.

A chuva da minha alma
Dá brilho e cor
A quem não ama!


 
Foto: "L´art de la photographie!"

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Histórias daquele tempo com piada - 8

 O sininho e os “croques” do P. Idalino!

     Não posso precisar, mas estaríamos em finais da década de 60, eu teria, sei lá, 4 ou 5 anos, não mais, mas recordo-me perfeitamente desta traquinice que pratiquei, mas já lá vamos! 
     O P. Idalino, padre da paróquia da Lomba, era useiro e vezeiro em dar croques na cabeça das crianças, entre as quais eu incluído. Era uma pessoa que impunha muito o seu respeito, tinha um bom porte físico, era alto espadaúdo, e já com alguma notória falta de cabelo. Usava aquela batina preta, do pescoço aos tornozelos, que criava algum pavor nas crianças, sempre que chamava alguém à atenção. No entanto, também se impunha pelo tratamento que mantinha com as pessoas e pela forma pragmática no cumprimento das regras da igreja. Aí daquele que prevaricasse, era reprimenda na hora!… Conta-se até, que dada a rapidez com que ele quis repreender alguém, saiu da sacristia com tamanha velocidade, e, como era alto e não se baixou a tempo, bateu com a cabeça na soleira da porta. Aquilo deve ter doído, digo eu!... Vamos, então ao que interessa:
     A igreja da Lomba tem uma torre, um campanário, na altura, para uma criança de 5 anos, era uma coisa imponente, monumental, de larga escala. Três sinos; o grande, que tocava com um tal timbre que quase rebentava com os tímpanos a um gajo. Tocava nos funerais e sempre uma hora antes de começar a missa ao domingo; o médio, normalmente tocava a rebate quando havia incêndios e quando faltava meia hora para a missa, e depois dava as três picadas para começar a missa! E o pequeno… e o pequenino, o que é que ele tocava? Eu não sabia, eu nunca ouvia aquele sininho a tocar!... Foi então que, corajosamente, subi as escadas da torre dos sinos e… pimba!... Pois é, a residência do P. Idalino ficava logo ali ao lado da igreja e a senhora sua empregada, a D. Luzia, ouvindo aquele toque veio ver o que se passava, e viu-me, caralho, identificou-me, e eu corri a sete pés para casa de meu pai!.... Nem meia hora se passou, nem meia hora, quando vi aquele vulto de preto junto ao portão da casa de meu pai. Fiquei todo cagado de medo e fugi, fugi outra vez. Meu pai, paternalmente, lá me foi buscar, junto a umas austrálias que ficavam perto de casa, e levou-me à presença do P. Idalino. Não me lembro, do que ele me disse, mas sei que me aplicou três croques na cabeça, três croques… contei-os bem, que já sabia contar!... E foi-se embora!...  Como devem calcular, a memória que tenho deste padre não é das melhores. Posteriormente, veio um outro padre para a Lomba, o Padre Avelino, uma joia de pessoa! É assim…!