A chuva da minha alma
A chuva da minha alma
Cai suave na tarde calma.
A chuva da minha alma
Escorre calçada abaixo
E lava a lama.
A chuva da minha alma
Dá brilho e cor
A quem não ama!
Foto: "L´art de la photographie!"
A chuva da minha alma
A chuva da minha alma
Cai suave na tarde calma.
A chuva da minha alma
Escorre calçada abaixo
E lava a lama.
A chuva da minha alma
Dá brilho e cor
A quem não ama!
Foto: "L´art de la photographie!"
O sininho e os “croques” do P. Idalino!
Não posso precisar, mas estaríamos em
finais da década de 60, eu teria, sei lá, 4 ou 5 anos, não mais, mas recordo-me
perfeitamente desta traquinice que pratiquei, mas já lá vamos!
O P. Idalino, padre da paróquia da
Lomba, era useiro e vezeiro em dar croques na cabeça das crianças, entre as
quais eu incluído. Era uma pessoa que impunha muito o seu respeito, tinha um
bom porte físico, era alto espadaúdo, e já com alguma notória falta de cabelo.
Usava aquela batina preta, do pescoço aos tornozelos, que criava algum pavor
nas crianças, sempre que chamava alguém à atenção. No entanto, também se
impunha pelo tratamento que mantinha com as pessoas e pela forma pragmática no
cumprimento das regras da igreja. Aí daquele que prevaricasse, era reprimenda
na hora!… Conta-se até, que dada a rapidez com que ele quis repreender alguém,
saiu da sacristia com tamanha velocidade, e, como era alto e não se baixou a
tempo, bateu com a cabeça na soleira da porta. Aquilo deve ter doído, digo eu!...
Vamos, então ao que interessa:
A igreja da Lomba tem uma torre, um
campanário, na altura, para uma criança de 5 anos, era uma coisa imponente,
monumental, de larga escala. Três sinos; o grande, que tocava com um tal timbre
que quase rebentava com os tímpanos a um gajo. Tocava nos funerais e sempre uma
hora antes de começar a missa ao domingo; o médio, normalmente tocava a rebate quando
havia incêndios e quando faltava meia hora para a missa, e depois dava as três
picadas para começar a missa! E o pequeno… e o pequenino, o que é que ele
tocava? Eu não sabia, eu nunca ouvia aquele sininho a tocar!... Foi então que, corajosamente,
subi as escadas da torre dos sinos e… pimba!... Pois é, a residência do P. Idalino
ficava logo ali ao lado da igreja e a senhora sua empregada, a D. Luzia, ouvindo
aquele toque veio ver o que se passava, e viu-me, caralho, identificou-me, e eu
corri a sete pés para casa de meu pai!.... Nem meia hora se passou, nem meia
hora, quando vi aquele vulto de preto junto ao portão da casa de meu pai.
Fiquei todo cagado de medo e fugi, fugi outra vez. Meu pai, paternalmente, lá
me foi buscar, junto a umas austrálias que ficavam perto de casa, e levou-me à
presença do P. Idalino. Não me lembro, do que ele me disse, mas sei que me
aplicou três croques na cabeça, três croques… contei-os bem, que já sabia
contar!... E foi-se embora!... Como
devem calcular, a memória que tenho deste padre não é das melhores.
Posteriormente, veio um outro padre para a Lomba, o Padre Avelino, uma joia de
pessoa! É assim…!