quinta-feira, 22 de junho de 2023

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Poesia do adverso - 7

PLUMA DOURADA

Estás longe...
Tão longe que não te vejo.
Tolda-se-me o olhar nas brumas de nevoeiro
E eu sigo errantemente sem paradeiro
Porque és tu tudo o quanto eu desejo.

Já não sinto os passos que dou.
Sinto pássaros chilreando de contentes!
Sinto cânticos em bocas ardentes!
E sinto....
Tristeza nos olhos de quem amou.

Recordo singelamente a ternura dos teus dedos!
O sorriso
Meigo e doce desenhado nos teus olhos!
Teus cabelos doirados que ondulavam aos molhos!
Teus lábios
Que se tocavam em enlevos de segredos!

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Teus  passos 
Trespassam o silêncio da noite escura.
Deslizam suavemente sobre as pedras da calçada
Bailando a doce melodia da cálida madrugada!
E parto...
Saio de mim e vou à tua procura!....

A noite vai longa!...
Repouso em sono profundo!...
Caio nos teus braços que me enlaçam com ternura
E vivemos momentos de prazer e de loucura...
Fascinados pelo manto de orvalho fecundo!

Nossos corpos
Entrelaçam-se em harmonia de coros!
Mordemos-nos levemente
E sorvemos as delícias do ar que respiramos
Emanado de carícias!
E assim ficamos....
Embriagados pelo licor dos poros!

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Acordei!
Abri os olhos e retornei a mim...
Corri velozmente na minha janela
E por entre o raiar matinal de cor amarela....
Vi-te!
Estavas lá!
Eras flor do meu jardim...

Vasco Santareno - Junho de 89




terça-feira, 13 de junho de 2023