MÃE ETERNA!
Mãe!
Nasci!
Eis-me aqui num turbilhão desenfreado
de gente que corre de lado para lado
e eu à margem parado!
Que fiz?... Que faço?...
Onde estão os afagos que recebi
no seio do teu regaço?
Nesse mundo que vivi
onde o sol lampeja amor
e as estrelas calor.
Mãe! Leva-me.
Tu vês-me?
Estou aqui, mesmo diante de ti,
no meio de uma onda de convulsões
onde as manhãs formulam opiniões
e as tardes vomitam convenções.
Porquê?
Porquê não me dão espaço?...
Porquê'
Porquê me julgam a mais ?...
Que saudades eu tenho do teu regaço
onde me embalavas serenamente.
Oh, como estou arrependido
de o ter perdido.
Mãe! Decididamente
eu sou o filho que não devia ter nascido.
João Sarmento - Maio/89
Foto: "L´art de la photographie!"
quinta-feira, 30 de novembro de 2023
Poesia do adverso - 8
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